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A (não) participação dos pais

Por:   •  16/5/2015  •  Trabalho acadêmico  •  1.040 Palavras (5 Páginas)  •  255 Visualizações

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Resumo do texto A (não) participação dos pais na escola: A eloquência das ausências de Vírginio Sá (2002).

Neste texto, Sá (2002) opta por fazer uma breve concetualização do termo "participação" antes de problematizar o tema da participação dos pais na organização escolar. Mostra assim que, para abordar este tópico, devemos ter bem claro o conceito, uma vez que este não é totalmente estrito. Ao longo do texto o autor demonstra que a temática da participação dos pais não deve ser vista apenas aos olhos do senso comum, uma vez que a não participação dos pais na escola não tem uma relação tão linear com o seu suposto desinteresse. Neste artigo o autor aborda as seguintes problemáticas: o conceito de participação, a não participação e o desinteresse (falando mais especificamente da não participação passiva à não participação activa e da não participação originária).

        A problemática da participação nas organizações, apesar de não ser uma questão surgida agora, mantém um forte carácter de atualidade. Para a compreendermos é necessário termos presente a pluralidade do conceito de participação que, segundo Correia (citado por Sá, 2002), se evidencia pelo seu "caráter sedutor e enganador" (p. 134). Este conceito tem, por um lado, uma "dimensão apelativa e conotação positiva" (Sá, 2002, p. 134), e por outro um "caráter difuso e ambíguo". Devido às ambiguidades deste conceito, o autor propõe uma clarificação do mesmo. Machado (citado por Sá, 2002) distingue diversos níveis de participação referindo que esta pode ocorrer na preparação da tomada de decisão, na tomada de decisão e na execução dessa mesma decisão. No entanto, para o autor, não basta ter em conta o momento em que ocorre a participação, mas também "a proporcionalidade da representação e a substância da própria participação" (p. 135). Ainda assim, estes não chegam para captar todas as dimensões da participação, apresentando o autor o modelo teórico-conceptual proposto por Lima, que assenta nos critérios da "democraticidaderegulamentaçãoenvolvimento e orientação" (Lima citado por Sá, 2002, p. 135). Sá considera relevante a aplicação dos quatro critérios acima referidos, principalmente os de envolvimento e orientação, à compreensão da participação dos pais na escola. Em relação ao envolvimento, admitem-se três opções: participação ativa, reservada e passiva, dependendo das atitudes dos intervenientes. Por fim, a respeito da orientação, é possível distinguir duas alternativas: a participação convergente e a divergente, com base na existência ou falta de concordância relativamente aos objetivos formais-legais. Assim, verifica-se a possibilidade de combinar diferentes critérios, por forma a classificar diferentes tipos de participação. Estes vão permitir desmistificar a equivalência entre o conceito de presença e participação e desconstrução da ideia de que a participação está reduzida à colaboração. Verificamos assim que o conceito de participação não está implícito no de presença - um encarregado de educação (EE) pode estar presente nos eventos da escola, mas não ter qualquer tipo de participação nestes. Por outro lado, um encarregado de educação pode intervir num determinado evento mas de forma divergente ou convergente com as posturas da escola.

Se, por um lado, se confirmam associações erradas face ao conceito de participação relacionado com a presença e a colaboração, também a respeito do conceito da não participação podemos encontrar relações erradas deste com o conceito de desinteresse. Vicent (citado por Sá, 2002) refere que a não participação dos EE pode resultar de uma decisão deliberada ("não participantes ativos") ou devido a fatores circunstanciais ("não participantes passivos"); sendo os primeiros aqueles que por algum motivo decidiram, por vontade própria, restringir as suas relações com a escola, e os segundos aqueles desejavam ter uma participação mais regular, mas que, devido a diversos fatores (como por exemplo a sobrecarga de trabalho), acabam por se afastar desta instituição. Para além destes fatores contribui ainda a consideração, por parte dos encarregados de educação, da baixa relevância de alguns eventos escolares para os quais estes são convidados. O autor refere que, normalmente, os "não participantes ativos" começam por ser "participantes ativos", mas que, devido a experiências menos positivas ou negativas, optaram por se afastar. Ainda no que toca aos "não participantes ativos", estão incluidos os EE que se recusam a participar em eventos escolares por considerarem que a sua participação nestes é irrelevante, não refletindo esta os seus interesses.

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