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Depressão pós-parto: fatores de risco e repercussões no desenvolvimento infantil

Por:   •  26/5/2017  •  Resenha  •  1.615 Palavras (7 Páginas)  •  310 Visualizações

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Depressão pós-parto: fatores de risco e repercussões no desenvolvimento infantil

A depressão pós-parto geralmente inicia da quarta a oitava semana após o parto (por vezes mais tarde, mas ainda dentro do primeiro ano) e pode persistir por mais de um ano. De acordo com o DSM-IV-TR, (APA, 2000), o Transtorno Depressivo maior pode ter como especificador o pós-parto, desde que este início ocorra no período de 4 semanas após o nascimento.

Estudos recentes de saúde mental relacionados ao parto levaram a uma mudança no conceito específico de depressão pós-parto, por considerá-la um espectro de transtornos depressivos e ansiosos que surgem no período perinatal. Esta mudança está associada ao crescente reconhecimento da necessidade de prevenção e intervenção precoce nesse período.

Os sintomas de depressão incluem irritabilidade, choro freqüente, sentimentos de desamparo e desesperança, falta de energia e motivação, desinteresse sexual, alterações alimentares e do sono, sensação de ser incapaz de lidar com novas situações e queixas psicossomáticas. Uma mãe com depressão pós-parto pode apresentar também sintomas como cefaléia, dores nas costas, erupções vaginais e dor abdominal, sem causa orgânica aparente.

Em linhas gerais, a sintomatologia depressiva não difere daquela presente nos episódios não relacionados com o parto e incluem instabilidade de humor e preocupações com o bem-estar do bebê, cuja intensidade pode variar de exagerada a francamente delirante.

Psicoses puerperais manifestam-se através de sintomas intensos, incluindo ruminações graves ou pensamentos delirantes a respeito do bebê, relacionados a um risco significativamente aumentado de danos ao mesmo. O infanticídio está associado, com maior freqüência, a episódios psicóticos no pós-parto, com alucinações de comando ou delírios de possessão envolvendo o bebê, requerendo estes episódios tratamento intensivo e, por vezes, hospitalização.

Corroborando esses dados em um estudo prospectivo que objetivou identificar a presença de depressão pós-parto, 570 gestantes foram avaliadas durante o último trimestre de gravidez, aos três meses e aos 18 meses após o nascimento e foi constatado que a depressão no último trimestre de gestação apresentou-se de forma mascarada, envolvendo manifestações de ansie-dade e irritabilidade direcionada aos outros ou a si mesmo, sendo assim destacada a dificuldade e a importância da detecção precoce desse transtorno.

A presença de sintomatologia depressiva no pós-parto foi também pesquisada em 125 gestantes acompanhadas até os 2 meses após o parto, tendo sido encontrada uma incidência de 22,4% de quadros depressivos no puerpério. Em outro estudo com 73 mulheres, entre 16 e 40 anos, avaliadas no período de 3 a 6 meses após o parto segundo a escala de depressão pós-parto de Edinburgh (EDPS), verificou-se que 32,9% das mulheres dessa amostra apresentavam sintomatologia depressiva (Coutinho, Baptista & Moraes, 2002).

É importante a identificação da DPP em razão de seus efeitos devastadores sobre as crianças, tendo esse processo diagnóstico se efetivado por meio de diferentes escalas. entre elas a Edinburgh Postnatal Depression Scale . Num estudo com 1.154 mulheres, em que esta escala foi aplicada no 2o ou 3o dia pós-parto, constatou-se que é um instrumento útil na identificação de mulheres com risco de depressão nessa fase (Teissedre & Chabrol, 2004).

A psicose pós-parto é considerada mais rara, afetando 1 a 2 em cada 1.000 mulheres, tendendo a apresentar uma maior incidência em primíparas. É importante a distinção destes transtornos do humor no pós-parto, pois podem trazer conseqüências a longo prazo, afetando o desenvolvimento social e psicológico da criança (Gale & Harlow, 2003).

 

Aspectos etiológicos e fatores de risco

De acordo com a literatura, diversos fatores estão associados à etiologia da depressão pós – parto, sendo predominantemente citados fatores relacionados ao bebê, como prematuridade, intercorrências neonatais e malformações congênitas; fatores socioculturais, como morte de familiares, decepções na vida pessoal ou profissional, retomada de atividade profissional e situação social de solidão; fatores físicos da mãe, como modificações hormonais; além de fatores psicopatológicos prévios. Neste sentido Beck (2002) aponta quatro fatores de risco identificados mais recentemente: baixa auto-estima, problemas na situação conjugal e socioeconômica, além de gravidez não planejada ou não desejada.

Reading e Reynolds relacionaram os riscos para a depressão materna em três categorias: A primeira refere-se à qualidade dos relacionamentos interpessoais da mãe, particularmente com seu parceiro; a segunda relaciona-se à gravidez e ao parto e à ocorrência de eventos de vida estressantes; e a terceira refere-se a adversidades socioeconômicas.

Andrews-Fike e Boyce consideraram os fatores psicossociais como predominantes para o risco de DPP, e este último autor destacou a importância do esclarecimento desses fatores para a compreensão dos mecanismos deste transtorno e para o desenvolvimento de estratégias preventivas e planos de tratamento. Algumas pesquisas revelaram que a história prévia de doença psiquiátrica ou problema psicológico da mãe também aumentaram a ocorrência de depressão materna.

A relação entre DPP e parto de emergência foi investigada por Koo, Lynch e Cooper sendo evidenciado um risco relativo de 1,81 de desenvolvimento de DPP em mulheres que tiveram parto de emergência quando comparadas a mulheres que tiveram parto sem alterações clínicas significativas. Por outro lado, Parker não encontrou evidências que relacionem a vivência de um parto traumático e o risco de desenvolvimento de DPP.

O risco para episódios no pós-parto com características psicóticas é particularmente aumentado em mulheres com episódios de humor anteriores ao pós-parto, mas também é elevado entre as que têm um histórico prévio de Transtorno do Humor (especialmente Transtorno do Humor Bipolar do tipo I). Caso uma mulher tenha tido um episódio no pós-parto com características psicóticas, o risco de recorrência a cada parto subseqüente situa-se entre 30 e 50%. Também existem algumas evidências de risco aumentado de episódios psicóticos de humor no pós-parto entre mulheres sem um histórico de Transtornos do Humor, mas com um histórico familiar de Transtornos Bipolares.

 

Repercussões na relação mãe-bebê e no desenvolvimento infantil

Um número considerável de estudos tem evidenciado que a DPP está associada a resultados cognitivos e socioemocionais adversos em crianças. A duração da depressão relaciona-se com uma redução na afetividade e cuidados direcionados à criança, resultando em prejuízo no desenvolvimento cognitivo e social no primeiro ano de vida. Diante da possibilidade de repercussão negativa do estado depressivo da mãe no desenvolvimento infantil, a influência da depressão materna no primeiro ano do bebê tem sido intensamente investigada.

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