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O Estado Brasileiro implantou Políticas de Morte a Fim de Exterminar Pessoas Negras e Periféricas?

Por:   •  8/6/2026  •  Artigo  •  3.460 Palavras (14 Páginas)  •  10 Visualizações

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NECROPOLÍTICA NA PANDEMIA DA COVID 19: O ESTADO BRASILEIRO IMPLANTOU POLÍTICAS DE MORTE A FIM DE EXTERMINAR PESSOAS NEGRAS E PERIFÉRICAS?

Júlia Gomes de Carvalho Mendes Bourbon Oliveira Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

Julia.boliveira@ufpe.br

RESUMO:

O artigo em questão traz à tona o debate sobre a esfera estatal de poder e controle sobre as vidas negras e periféricas, principalmente no contexto da pandemia de Covid-19. Os conceitos de racismo estrutural e Necropolítica de Achille Mbembe (2016) se entrelaçam para exemplificar as políticas de morte implantadas contra corpos marginalizados. A discussão supera o entendimento do racismo como uma patologia individualizada, mas sim como um mecanismo institucional utilizado para realizar uma limpeza étnica através de políticas excludentes estatais. Nesse âmbito, o estudo visa comprovar como o Estado historicamente usa de várias formas para causar a morte de sua população preta e pobre, e na época da pandemia, o vírus foi a arma escolhida para exterminar esses “inimigos” da sociedade.

Palavras Chave: Necropolítica, Racismo, Pandemia.

ABSTRACT:

The article in question brings up the debate on the state sphere of power and control over black and peripheral lives, especially in the context of the Covid-19 pandemic. Achille Mbembe's (2016) concepts of structural racism and necropolitics are intertwined to exemplify the politics of death deployed against marginalized bodies. The discussion goes beyond the understanding of racism as an individualized pathology, but rather as an institutional mechanism used to carry out ethnic cleansing through exclusionary state policies. In this context, the study aims to prove how the state has historically used various ways to cause the death of its black and poor population, and at the time of the pandemic, the virus was the weapon chosen to exterminate these “enemies” of society.

Keywords: Necropolitics, Racism, Pandemic.

SUMÁRIO

  1. INTRODUÇÃO        4
  1. PROBLEMATIZAÇÃO…        4
  2. METODOLOGIA…        4
  3. OBJETIVO GERAL…        5
  4. OBJETIVOS ESPECÍFICOS…        5
  5. JUSTIFICATIVA…        5
  1. DESENVOLVIMENTO        5
  1. NECROPOLÍTICA…        5
  2. NECROPOLÍTICA E O ESTADO…        6
  3. RACISMO ESTRUTURAL…        8
  4. RACISMO ESTRUTURAL E NECROPOLÍTICA NA PANDEMIA…        9
  1. CONCLUSÃO        11

REFERÊNCIAS        12

  1. INTRODUÇÃO

  1. PROBLEMATIZAÇÃO

Os primeiros casos do vírus Covid-19, de acordo com cientistas e pesquisadores, iniciou-se em um mercado de peixes em Wuhan, na China, em dezembro de 2019. Devido à sua rápida capacidade de propagação, a OMS decretou o coronavírus como pandemia em meados de março de 2020. Estima-se que o vírus matou vários milhões de pessoas em todo o território mundial desde o seu início. Dados revelam que no Brasil, em 2021, foram confirmadas cerca de 600 mil mortes pela doença (IBGE, 2021). Porém, apesar de a maioria dos primeiros registros da enfermidade no Brasil serem de pessoas brancas, sejam elas turistas ou pessoas que viajam ao exterior a trabalho, variados estudos demonstram que a taxa de mortalidade entre pessoas negras, pardas e periféricas é bem maior que de pessoas brancas que possuem um elevado padrão de vida.

Esse artigo visa analisar a problemática do número de mortos de pessoas racializadas e marginalizadas em comparação com os quantitativos de óbitos da população branca brasileira, e relacionar essas estimativas com o conceito criado por Achille Mbembe, Necropolítica.

Portanto, objetiva-se estabelecer a relação do Estado brasileiro com o número elevado de mortes de pessoas racializadas no país e se a falta de políticas públicas para atender essa população marginalizada foi uma estratégia proposital do governo para realizar uma “limpa” no povo periférico do Brasil.

  1. METODOLOGIA

Este estudo utilizou uma abordagem de revisão bibliográfica, com o objetivo de sintetizar o conhecimento existente sobre a marginalização de pessoas pretas e periféricas incluída no contexto da pandemia. As fontes de dados incluíram artigos científicos, relatórios técnicos, livros e dissertações sobre o tema. Essa metodologia permite uma compreensão abrangente sobre o tema e identifica lacunas nas literaturas escolhidas que serão esclarecidas ao decorrer da análise da pesquisa.

  1. OBJETIVO GERAL

O objetivo geral deste estudo é comprovar a intenção do Estado brasileiro de eliminar comunidades desfavorecidas por meio de práticas e políticas de morte em meados da pandemia de Covid-19

  1. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Destrinchar o conceito de Necropolítica de Achille Mbembe.

Explicar como a Necropolítica pode ser uma arma estatal para causar dor, sofrimento e morte a certas populações.

Analisar o racismo estrutural no Brasil e como ele afeta negativamente grupos marginalizados até os dias atuais.

Elucidar como o racismo estrutural do país contribuiu para o governo aplicar mecanismos necropolíticos para exterminar populações negras e periféricas na pandemia.

1.5 JUSTIFICATIVA

A pandemia da Covid-19 trouxe uma série de desafios para a saúde da população mundial. Milhões de pessoas tiveram suas vidas ceifadas pela doença, e muitos grupos marginalizados que precisavam de apoio e políticas públicas para combater o vírus foram esquecidos e seus membros deixados para morrer. Essa pesquisa é crucial para compreender as razões do descaso do governo brasileiro vigente na época do combate à Covid-19 em comunidades periféricas e entender a relação desse desprezo com um dos maiores problemas sociais que o país enfrenta: o racismo estrutural. Esse enorme preconceito enraizado nas instituições brasileiras faz com que o Estado ponha em prática técnicas de necropolítica a fim de realizar uma limpeza étnica na população. Essas políticas de morte incluem medidas eugênicas estatais para eliminar os “indesejáveis” da sociedade, no caso pessoas pobres e racializadas, por meio de artifícios como dificultar o acesso desse povo a medidas profiláticas e vacinas contra o vírus.

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