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Revolta de Felipe dos Santos

Por:   •  3/1/2026  •  Resenha  •  813 Palavras (4 Páginas)  •  12 Visualizações

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A Revolta de Felipe dos Santos, ocorrida em 1720, na região de Vila Rica (atual Ouro Preto, Minas Gerais), foi um dos mais significativos movimentos de contestação ao domínio português durante o período do Brasil Colônia. Embora não tivesse caráter separatista, a revolta expressou de forma clara o descontentamento da população local com a exploração econômica, os impostos excessivos e a repressão exercida pela Coroa Portuguesa no contexto da mineração aurífera. Esse movimento revelou tensões profundas da sociedade colonial e deixou importantes influências para revoltas posteriores.


1. Contexto histórico: os acontecimentos antes da revolta

No final do século XVII, a descoberta de grandes jazidas de ouro na região das Minas Gerais transformou profundamente a colônia brasileira. Portugal, que enfrentava dificuldades econômicas na Europa, passou a depender fortemente do ouro extraído do Brasil para sustentar o Estado, pagar dívidas externas e manter seu império colonial.

Com a rápida expansão da mineração, a região mineira recebeu um grande fluxo populacional, incluindo portugueses, colonos de outras partes do Brasil, comerciantes e pessoas escravizadas. Esse crescimento acelerado gerou conflitos sociais, aumento do custo de vida e maior vigilância por parte da metrópole.

Para garantir a arrecadação, a Coroa instituiu o quinto, imposto que correspondia a 20% de todo o ouro extraído. Além disso, criou as Casas de Fundição, onde o ouro deveria obrigatoriamente ser fundido e transformado em barras oficiais, marcadas com o selo real. O uso do ouro em pó como moeda — prática comum na região — foi proibido.

Essas medidas provocaram grande insatisfação, pois:

  • Reduziam os lucros dos mineradores;
  • Facilitavam abusos e corrupção por parte de funcionários portugueses;
  • Representavam uma perda de autonomia econômica para a população local;
  • Aumentavam a repressão e o controle da metrópole sobre a vida cotidiana.

2. O que estava acontecendo na época da revolta

Em meio a esse cenário de tensão, surgiu a liderança de Felipe dos Santos Freire, um tropeiro e comerciante que se destacou por seus discursos críticos contra os impostos e as Casas de Fundição. Diferentemente de outros movimentos coloniais liderados pela elite, a Revolta de Felipe dos Santos teve forte participação popular, envolvendo pequenos mineradores, artesãos, comerciantes, soldados e homens livres pobres.

Em 1720, os revoltosos organizaram protestos e marchas em Vila Rica, exigindo:

  • O fim das Casas de Fundição;
  • A diminuição dos impostos;
  • O combate aos abusos cometidos por autoridades coloniais;
  • Maior justiça administrativa.

O movimento cresceu rapidamente e chegou a ameaçar o poder colonial na região. Diante da pressão, o governador da capitania, Conde de Assumar (Pedro de Almeida), fingiu aceitar as reivindicações para acalmar os ânimos e dispersar os revoltosos. No entanto, essa atitude foi uma estratégia para reorganizar as forças militares.

Após a dispersão do movimento, o governador ordenou uma repressão violenta. Felipe dos Santos foi preso, acusado de traição à Coroa e condenado à morte. Ele foi enforcado e esquartejado, e partes de seu corpo foram expostas em locais públicos como forma de intimidação e exemplo para a população. Diversas casas foram incendiadas, e outros participantes foram presos, castigados ou expulsos da região.


3. Consequências imediatas da revolta

A repressão à Revolta de Felipe dos Santos foi extremamente severa, demonstrando a intenção da Coroa Portuguesa de impedir qualquer tentativa de contestação ao seu domínio. Entre as principais consequências imediatas, destacam-se:

  • A reorganização administrativa da região, com a separação da Capitania de Minas Gerais da Capitania de São Paulo, permitindo maior controle direto da metrópole;
  • O reforço da presença militar portuguesa nas áreas mineradoras;
  • A suspensão temporária das Casas de Fundição, que posteriormente voltaram a funcionar de forma definitiva em 1725;
  • O fortalecimento da autoridade do governo colonial e da política fiscal portuguesa.

Apesar da derrota do movimento, a revolta deixou evidente a fragilidade do controle colonial diante do descontentamento popular.


4. Influências e importância histórica na posteridade

A Revolta de Felipe dos Santos é considerada um movimento nativista, pois não defendia a independência do Brasil, mas questionava práticas específicas do sistema colonial. Ainda assim, sua importância histórica é significativa.

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