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PROCESSO GRUPAL E A QUESTÃO DO PODER EM MARTÍN-BARÓ

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Por:   •  27/9/2013  •  4.819 Palavras (20 Páginas)  •  828 Visualizações

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Psicologia & Sociedade; 15 (1): 201-217; jan./jun.2003

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PROCESSO GRUPAL E A QUESTÃO DO PODER EM

MARTÍN-BARÓ

Sueli Terezinha Ferreira Martins

UNESP- Bauru

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RESUMO: O presente artigo trata da concepção de processo grupal

e poder social enfocada por Martín-Baró.1 O autor retoma a concepção

de grupo presente no trabalho de Sílvia Lane, quando considera

os aspectos pessoais, as características grupais, a vivência subjetiva e

realidade objetiva e o caráter histórico do grupo. Na perspectiva da

psicologia social, segundo o autor, é muito mais relevante a análise do

papel do poder na vida cotidiana, no dia-a-dia das pessoas, do que se

centrar nos acontecimentos excepcionais e não rotineiros. Considerando

que grande parte da prática profissional do psicólogo, principalmente

numa perspectiva psicossocial, envolve o trabalho com grupos,

a abordagem da questão do poder passa a ter papel fundamental.

Neste sentido, o contato com a produção de Martín-Baró é essencial

e pode contribuir incisivamente no nosso trabalho cotidiano.

PALAVRAS-CHAVE: processo grupal, poder social, ação humana,

abordagem psicossocial crítica.

GROUP PROCESS AND THE POWER ISSUE IN

MARTÍN – BARÓ

ABSTRACT: The present article discusses the group process and

the social power conceptions focused by Martín-Baró. The author

retakes the group conception present in Sílvia Lane’s work, when it

considers the personal aspects, the group characteristics, the

subjective existence and objective reality and the historical character

1 Martín-Baró viveu em El Salvador. Foi jesuíta, teólogo e psicólogo social. Foi

assassinado em 16 de novembro de 1989 por soldados do governo de El Salvador.

Comprometido politicamente com a população mais pobre, atuou e publicou vários

trabalhos sobre o povo latino-americano.

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Martins, S. T. F.; “Processo grupal e a questão do poder em Martín-Baró”

of the group. In the perspective of the social psychology, according

to the author, it is much more important the analysis of the role of

the power in the daily life, in the people’s day by day, which implies

routine events than to center it in the exceptional ones. Considering

that great part of the psychologist’s professional practice, mainly in

a psychosocial perspective, involves the work with groups, the power

issue approach starts to have a fundamental role. In this sense, the

contact with Martín-Baró’s production is essential and it can

contribute to our daily work incisively.

KEYWORDS: group process, social power, human action, critical

psychosocial approach.

À força [Gewalt], costuma-se associar a idéia

de algo que se encontra próximo e presente. Ela é mais

coercitiva e imediata do que o poder [Macht]. Falase,

enfatizando-a, em força física. O poder, em seus

estágios mais profundos e animais, é antes força. ... O

poder é mais universal e mais amplo; ele contém muito

mais, e já não é tão dinâmico. É mais cerimonioso e

possui até um certo grau de paciência.

(CANETTI, 1960/1995:281)

Em geral os autores definem grupo como sendo uma unidade

que se dá quando os indivíduos interagem entre si e compartilham

algumas normas e objetivo. Muitos são os aspectos indicados como

relevantes para diferenciar um grupo de outras situações em que verificamos

a presença de várias pessoas em uma mesma atividade.

Martín-Baró (1989), ao abordar a temática, faz menção ao

trabalho de Lane (1984), reafirmando alguns aspectos apontados

na concepção de grupo apresentada pela autora, quando considera

os aspectos pessoais, as características grupais, a vivência subjetiva

e realidade objetiva e o caráter histórico do grupo.

Neste sentido, tanto Lane (1984) quanto Martín-Baró falam

em processo grupal e não em grupo ou dinâmica de grupo. Não se

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trata apenas de diferença na denominação mas uma diferença profunda

no fenômeno estudado. Ao falar em processo os autores remetem

ao fato do próprio grupo ser uma experiência histórica, que

se constrói num determinado espaço e tempo, fruto das relações

que

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