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Resenha do Filme Mauá Imperador e o Rei

Por:   •  4/12/2015  •  Resenha  •  2.109 Palavras (9 Páginas)  •  2.410 Visualizações

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Análise do filme: Mauá, O Imperador e o Rei (1999).

       O filme Mauá, Imperador e o Rei, é um filme brasileiro produzido por Sergio Rezende em 1999. O enredo apresentado pelo filme relata a trajetória de Irineu Evangelista de Souza, tendo como nome mais conhecido o Barão de Mauá, e sua trajetória da infância á falência. É um filme biográfico, que mostra a trajetória de um menino nascido no Rio Grande do Sul, transferido para o interior de São Paulo onde inicia sua empreitada em negócios, se tornando a posteriori um grande empresário brasileiro, responsável por uma série de iniciativas modernizadoras para economia nacional, ao longo do século XlX. 

       Os roteiristas dividiram o filme em quatro capítulos. O 1º Capítulo compreende cenas em uma fazenda no Rio Grande do Sul, com Irineu ainda criança, até o sepultamento de seu pai assassinado. O 2º capítulo vai da chegada de Irineu no Rio de Janeiro, sua inserção ao trabalho no armazém de seu patrão chamado “Seu Pereira” (um português) e na senzala, até os conselhos de um escravo “próximo” sobre patrão bom e mau. No 3º capítulo a filmagem de Irineu no quarto, lendo um livro, até a ordem de “Seu Pereira” para devolver tudo à viúva de “Seu Queiroz” que havia se suicidado. As gravações do 4º Capítulo iniciam-se com o pagamento da divida a Sr. Carruthers, comerciante escocês, até o final com Irineu e May cavalgando em um campo.

        No Rio de Janeiro é onde se inicia a carreira do jovem Irineu (Mauá), trazido por seu tio Batista, Irineu começou a trabalhar no armazém de marinha mercante de um português o qual tinha o nome de Seu Pereira, onde presenciava o tráfico, e estoque de negros. Neste contexto Irineu é incumbido fiscalizar/assistir um escravo bêbado chamado Valentim, responsável por colocar e tirar um tipo de máscara, e em um diálogo com Irineu, onde Irineu afirma que nunca teria escravos, e o escravo alerta-o a não confiar em patrão seja bom ou mau. (Este conselho refletirá na vida futura de Irineu). Seu tio Batista chamado também de Capitão por Seu Pereira era ser responsável por trazer vários escravos capturados. Aqui vale ressaltar que neste período havia pressões inglesas para que o tráfico de escravos fosse encerado.

         Após uma investida inglesa contra o tráfico de escravos, Batista (Capitão) dá a noticia a Seu Pereira que teve de jogar os escravos ao mar para não ser preso por navios ingleses. Seu Pereira teme para não ser falido e promove Irineu a cobrador. Nesta função ele cobrava os devedores de Seu Pereira para pagarem as dívidas. Um dos devedores era Seu Queiroz, este não tinham condições de pagar as dividas no tempo estipulado por Irineu e acaba se suicidando, perdendo os seus bens para Seu Pereira. Após o pedido da viúva de Queiroz a Visconde de Feitosa, homem importante e de grande influência ordena a Seu pereira a devolver tudo à viúva de Queiroz. Esta prática expressa bem como a influência do poder político, as redes de clientelagem e patronagem mantêm a estrutura de poder nas mãos de uma elite imperial. Além disso, sobre Irineu, este que não quer que seu patrão vá a falência compra as ações de Seu Pereira por 20% do valor que acreditava não valerem nada. E em 1830 conhece o Sr. Carruthers que satisfeito por Irineu pagar as dividas, convida-o pra trabalhar em sua empresa, sendo aceito por Irineu. Ao trabalhar para Carruthers, este lhe empresta livros sobre língua inglesa contabilidade e aperfeiçoou a sua habilidade de comerciante, adquirindo inclusive conhecimentos de comércio exterior. Irineu compra Valentim e o presenteia com um par de sapatos, (o que era uma for de simbolizar a que este o escravo estava liberto), e o convida para trabalhar para ele com pagamento de salário sob a condição de não beber mais.

           Neste período o Brasil se encontrava no período do Governo Regente, mesmo que o filho de D. Pedro I havia nascido. Neste contexto Irineu consegue o resgate das ações que comprara de Seu Pereira junto ao Banco do Brasil. E quando Irineu tem seu primeiro contato com Visconde de Feitosa. Então Visconde de Feitosa o aconselha a comprar uma fazenda e adquiri muitos escravos para trabalharem, Irineu manifestando-se contra escravidão dizendo tratar-se de uma aberração e um atraso, defendendo a industrialização com produção de ferro, carvão, indústrias, livre comércio e meios de transporte para circulação da produção, sendo acusado por Visconde de Feitosa, de estar aderindo às ideias liberais dos ingleses e que no império todos devem sonhar como o imperador. Sobre este diálogo vale duas análises importantes, a primeira Irineu acreditava que escravo não consume nem tem recursos para impulsionar um mercado consumidor. Por isso ele condenou o sistema de produção vigorante da monarquia, baseado no trabalho escravo. Tendo como orientação as ideias de Adam Smith, foi um defensor do liberalismo econômico, onde valorizava a mão de obra, incentivou o investimento em tecnologia, a criação de empresas multinacionais, e a abertura do mercado brasileiro ao exterior. E segundo a análise de Emília Viotti da Costa em relação aos valores “aristocráticos”:

“Desenvolveram-se valores e formas de comportamento que característicos de sociedades agrárias aristocráticas: desvalorização do trabalho manual, fenômeno típico das sociedades escravistas; culto do lazer; espírito rotineiro; pouco apreço pelo progresso tecnológico e científico; relações de dependência; familiares extensiva; tendência à ostentação”. Costa, Emília Viotti da. Da Monarquia ao à República p. 239 (Cap 6. Urbanização do Brasil no Século XIX)  

            Após esse contato, Irineu desabafa com Carruthers dizendo que enquanto a elite dominante estiver no poder as portas para ele sempre estarão fechadas. Este fato faz com que Irineu se inicie na maçonaria. Esta rede sustentou e impulsionou Irineu. A maçonaria defendia as ideias da liberdade, da democracia e do liberalismo. Pragmáticos, os homens da maçonaria eram todos homens não recorriam a rituais ou palavras mágicas. Agiam por meio de acordos sigilosos, apoio financeiro, divulgação de ideias através de jornais. Assim a entrada na maçonaria onde participavam nobres, políticos e juízes, juntamente com Paranhos homem que queria seguir na política, Irineu queria seguir a cuidar das finanças para mudar o Brasil. Carruthers decide voltar para seu país depois de contrair uma doença. Então ele decide que Irineu tome conta de sua empresa no Brasil. Neste processo o Brasil rompe com a Inglaterra sobre o acordo comercial e isenção de impostos. Irineu diante desse fato decide viajar para a Europa onde entre outas coisas, visitar as indústrias inglesas, e a decisão de trazê-las para o Brasil. Durante este período Irineu se casa com sua sobrinha Maria Joaquina, a qual a chama de May. Em seu casamento Irineu decide liquidar sua empresa deixando de ser comerciante para inovar sendo um empresário industrial.

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