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A NATUREZA HUMANA: DA ESPIRITUALIDADE À FELICIDADE

Por:   •  9/2/2019  •  Ensaio  •  1.289 Palavras (6 Páginas)  •  19 Visualizações

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 A NATUREZA DO HOMEM: DA ESPIRITUALIDADE À FELICIDADE

Eliane dos Santos Sá [1]

Bem, eu poderia falar sobre outro assunto qualquer, que não envolvesse demasiada provocação de divergentes pontos de vista, mas esse é um assunto instigante, que indubitavelmente, desperta o interesse de muitas pessoas que gostam de refletir e precisa ser mais estudado. Sua compreensão pode incentivar muitas pessoas a buscarem pelo que Mill (1967) chama de prazeres superiores, os quais satisfazem a mente, assim teríamos uma sociedade com mais pessoas realizadas e estabilizadas diante da verdadeira felicidade, a felicidade da mente e da alma.

O homem, em grande parte, desconhece a si próprio, ou se ele se conhece, provavelmente já passou por vários desafios emocionais e psicológicos, que o exigiram muita reflexão e controle emocional e uma gama enorme de fatores que o levaram a um determinado estágio de desenvolvimento espiritual, que o oferece um confiável autocontrole e previsão de suas ações e reações, como assim ele acredita, mas ainda assim, não se conhece por completo, mas apenas dentro do limite de suas experiências e emoções vivenciadas. Sua dedicação diária à formação intelectual e autoconstrução de sua espiritualidade o permite viver sobre essa estável confiança de si e de suas ações.

 Para esta colocação tomo como base, a análise de Mattos (2016) sobre as ideias de John Stuart Mill, que oferece uma compreensão da formação do caráter dos indivíduos e que trata a natureza humana como maleável, inclusive, em sua concepção o caráter é moldado pelas circunstâncias e motivações que cercam o indivíduo, partindo dessas premissas, acrescento que em seu intelecto o homem é induzido pelos seus desejos e emoções na busca pela felicidade, mas suas reações diante de alguns acontecimentos que estão fora de suas experiências podem ser imprevisíveis, por isso o homem não se conhece perfeitamente e corre o risco de se frustrar.

Podemos ver esse fato quando uma pessoa com aparente estabilidade espiritual, ou em outras palavras, com uma notável maturidade diante dos problemas, que apesar das dificuldades é feliz, passa a viver em profunda depressão. Isso pode ocorrer, porque o indivíduo desenvolve o seu controle intelectual e espiritual dentro de um determinado espaço em que ele já conhece as circunstâncias que o cercam, mas se esse espaço se expande, ele passa a lidar com novas relações, novas circunstâncias, inclusive novos conhecimentos. Então, se este indivíduo não continua a alimentar o seu desenvolvimento espiritual, ele corre o risco de ser afetado e “as afecções à base de tristeza se encadeiam, portanto, umas nas outras e preenchem nosso poder de ser afetado. Elas o fazem, porém, de tal maneira que nossa potência de agir diminui cada vez mais e tende para seu mais baixo grau” (DELEUZE, 1968, p.166), é diante dessa lógica, que pressuponho o desconhecimento do individuo em relação a si, pois as circunstâncias podem o moldar e interferir no seu desenvolvimento, mas quando se possui uma alta capacidade intelectual, isso proporciona um maior controle de suas emoções, assim as afecções podem ter um menor impacto sobre seu caráter.

Em contraposição, o individuo não possuí o domínio sobre suas emoções, ele pode perder sua capacidade intelectual de agir com racionalidade e assim se afastar cada dia mais de sua felicidade superior, passando então a ser cada vez mais afetado pelas circunstâncias que o cercam, e estas, moldam sua natureza, podendo então o indivíduo se afastar constantemente de sua espiritualidade, e mesmo que a pessoa conheça os prazeres superiores não os conseguem alcançar, ao menos que, este consiga novamente desenvolver sua espiritualidade e administrar as novas circunstâncias que o cercam, caso contrário, este se satisfará com os prazeres do corpo, os quais se definem em uma felicidade passageira e não oferecem a tranquilidade que a mente precisa, formando então uma pessoa depressiva e sem motivação. Como podemos ver, esse pode ser um desafio para a presente sociedade capitalista e acumuladora de riquezas, pois a formação humana não tem envolvido esses aspectos na educação, por isso, não legitimo que se possam formar bons cidadãos quando não é desenvolvida sua intelectualidade e capacidade para refletir.

É importante destacar o que Mattos (2016) deixa claro em sua análise, que esse fato não é percebido por todos os indivíduos, ou seja, nem todos tiveram acesso aos prazeres superiores. No atual sistema capitalista fica ainda mais difícil desenvolver a espiritualidade, esta por sua vez, se encontra restrita aos poucos que possuem tempo para praticar atividades espirituais, ao contrário da maior parte da população, a qual é classe trabalhadora e tem o trabalho como principal atividade diária, conforme mostram as ideias de Tonet (2006) em seu artigo sobre “Educação e Formação Humana”. Em sua concepção “uma formação realmente integral supõe a humanidade constituída sob a forma de uma autêntica comunidade humana, e esta pressupõe, necessariamente, a supressão do capital” (TONET, 2006, p. 14), ou seja, ele acredita que isso só será possível em uma sociedade comunista.

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