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MECANISMOS DE DEFESA NA CONSTRUÇÃO DO SER

Por:   •  8/2/2019  •  Trabalho acadêmico  •  3.996 Palavras (16 Páginas)  •  23 Visualizações

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MECANISMOS DE DEFESA NA CONSTRUÇÃO DO SER

Associação Brasileira de Estudos Psicanalítico do Estado de Pernambuco- ABEPE

Nome do Curso: Curso Livre de Formação de Psicanalistas

Aluno: Glauco Araújo Guedes


O homem ao longo da história sempre buscou respostas a várias questões e devido a sua curiosidade e poder de raciocínio elaborou diversos campos de sabedoria e assim surgiram diversas ciências, filosofias e religiões. Alguns homens se destacaram pelo sua grande capacidade de analisar os fatos e fenômenos que observavam, sendo capazes de criar novas teorias e elaborar teses para explicar acontecimentos que muitas vezes eram tidos por milagres ou efeitos de um poder superior ou invisível.

Em meados de 1892, um médico chamado Sigmund Freud elabora um método que ele chama de “associação livre”, uma técnica na qual o paciente deve fazer um esforço para dizer tudo que lhe vier à mente, mormente aquilo que ele se sinta inclinado a omitir. Essa técnica causou um efeito muito positivo nos pacientes e passou a ser usada pela psicanálise, um novo método de investigação que tem o objetivo de entender os significados dos atos, palavras, sonhos e imaginações, buscando interpreta-los com base numa nova teoria elaborada por esse novo e sábio cientista europeu.

Freud se destaca por escrever diversas obras ao longo de sua vida em que explica vários fenômenos da mente humana. Ele passa por muitas dificuldades principalmente quando constata um câncer no maxilar, o que o leva a 33 cirurgias e a perder o maxilar superior, tendo de instalar aí uma prótese para separar a boca e por sofrer perseguição por ser judeu, como no fato ocorrido em 1933 em que a terminologia freudiana foi banida do vocabulário da psiquiatria e da psicologia da Alemanha e a psicanálise foi considerada como uma ciência judaica. Neste período há uma grande saída de psicanalistas alemães para a Argentina, Inglaterra e EUA.

Em 1938, Freud foge do nazismo e vai morar em Londres com a esposa e filhos. Com a ascensão do nazismo, os suas obras são queimadas em praça pública. Aos 83 anos, em 23 de setembro de 1939, Freud morre depois de uma overdose de morfina para aliviar as dores do câncer de mandíbula, do qual padeceu durante 16 anos.

Freud distinguiu três níveis de consciência, na sua inicial divisão topográfica da mente:

- Consciente - relaciona-se com a capacidade de ter percepção dos pensamentos, sentimentos, lembranças e fantasias do fato presente, ou do passado relacionado e refletido no momento atual;

- Pré-consciente - diz respeito aos conteúdos, imagens, lembranças, eventos, processos que podem facilmente chegar à consciência, através de um esforço mental, no momento em que focalizamos a atenção;

- Inconsciente – é referente ao material ou conteúdos não disponíveis à consciência ou ao exame do indivíduo de maneira fácil ou por um leve esforço.

Logo, o ponto central da abordagem psicanalítica de Freud é a convicção da existência do inconsciente como:

a) Um local de guardar e manter as memórias traumáticas reprimidas (parte recalcada da mente);

b) Um receptáculo de impulsos que constituem fonte de ânsia, por serem culturalmente inaceitáveis para o ser (censura).

Em Freud inconsciente designa um sistema psíquico independente da consciência e dotado de atividade própria, com suas próprias leis e regras.

Freud diz que a topografia psíquica não tem que ver com anatomia; refere-se a regiões do mecanismo mental, onde quer que estejam localizados no corpo. Assim, a subdivisão em inconsciente e consciente/pré-consciente faz parte de uma tentativa de retratar o aparelho mental como sendo constituído de grande número sistemas, cujas interconexões são refletidas em termos espaciais, sem implicarem em alguma ligação com as divisões anatômicas do cérebro.

Segundo Garcia-Roza:

O inconsciente permanece sendo o irredutível. Essa irredutibilidade não é devida, porém, a uma irracionalidade do inconsciente, ele não é o “lugar das trevas” por oposição à racionalidade da consciência. A concepção freudiana do homem não opõe, no interior do mesmo indivíduo, o caos do inconsciente à ordem do consciente, mas sim duas ordens distintas. Aquilo a que ela se propõe é precisamente explicitar a lógica do inconsciente e o desejo que a anima. (GARCIA-ROZA, 2009, p.24)

Ao elaborar o conceito de Inconsciente, Freud vai de encontro a uma grande resistência da sociedade intelectual da época, fruto de uma concepção racionalista do homem como um ser unitário identificado com a consciência e regido pela razão. A psicanálise opera uma clivagem na subjetividade, não colocando a questão do sujeito da verdade, mas da verdade do sujeito.

Portanto a consciência, para a psicanálise, é apenas um efeito de superfície do inconsciente, não é o lugar da verdade, mas da ilusão e da distorção. Freud coloca a consciência sob suspeita. Ela propõe falar do homem como um ser único, singular, particular, através da escuta desse sujeito, de sua verdade e de sua experiência subjetiva, atentando-se ao desejo e suas pulsões que o racionalismo negou.

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