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RESENHA O LIVRO O ESPELHO DO MUNDO

Por:   •  23/3/2020  •  Resenha  •  1.131 Palavras (5 Páginas)  •  6 Visualizações

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RESENHA

Por Vanessa Pereira da Silva, estudante de Psicologia na Universidade Italo.

Obra: Cunha, Maria Clementina Pereira. O Espelho do Mundo: Juquery, a história de um Asilo. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1986. Capítulo 3: Do outro lado do espelho.

  1. Credenciais do autor

Nascida no Rio de Janeiro, em 1949, graduou-se em História pela Universidade de Brasília (1971) e obteve o título de Mestre (1976) e Doutora (1986) em História Social pela Universidade de São Paulo. Atualmente é professora associada (aposentada) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde mantém atividades junto ao programa de pós-graduação. Sua área de pesquisa abrange temas relacionados à história social da cultura, especialmente manifestações coletivas como o carnaval ou as rodas de samba no Rio de Janeiro no início do século XX. Sua experiência inclui ainda um amplo elenco de temas relativos ao período, particularmente aqueles relacionados com a emergência de saberes e práticas disciplinares no início da República. *1

  1. Francisco Franco da Rocha

Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro no ano de 1890, Franco da Rocha foi o idealizador e fundador do Hospital Psiquiátrico do Juqueri, fundado, em 1898, o primeiro em São Paulo a contar com orientação médica para o tratamento de distúrbios psíquicos. Foi erguida em um terreno de 170 hectares localizado a menos de 50 quilômetros da cidade, com edificações projetadas pelo arquiteto Francisco Ramos de Azevedo (1851-1928). O asilo cresceu em ritmo acelerado. Construído para abrigar 300 pacientes, passou por sucessivas ampliações para atender à demanda. Em 1901, o Juquery abrigava 590 pacientes. Em 1912, eram 1.250 internados. Em 1928, eram pouco mais de 2 mil distribuídos em cinco pavilhões femininos, quatro masculinos e um para crianças. Havia ainda uma lista de espera de milhares de pessoas do estado aguardando uma vaga. *2 *3

  1. Considerações da obra

O Espelho do Mundo: Juquery, a história de um Asilo. Capítulo 3: Do outro lado do espelho.

O livro O espelho do Mundo: Juquery a história de um Asilo, capítulo 3: Do outro lado do espelho apresenta, através de relatos de médicos e pacientes, os motivos das internações na instituição.

Logo na introdução a autora traz um poema de um interno anônimo demonstrando a angústia de só poder sofrer e viver essa realidade pela eternidade.

A autora destaca que apesar de todos os intensos debates, sucessivos congressos e muitos artigos científicos, os médicos não obtiveram sucesso para responder do que se trata a loucura. Definiram a loucura pelas condições de inteligibilidade do paciente, atribuíram a manifestação das patologias mentais, desvios de comportamentos e do ajustamento social ou até mesmo a fraqueza de espírito. E sem essa resposta, como conseguir levar o paciente da doença para a cura? Cabe a competência do médico identificar a real necessidade da internação ou não, uma vez que a loucura tem um conceito escorregadio, de limites imprecisos e de natureza indefinível.

A autora adiciona que levavam os loucos por causa das normas sociedade ou devido falta do cumprimento dessas normas. Como as pessoas insubmissas, rebeldes até mesmo extravagantes que poderiam contaminar um ambiente com seus maus exemplos. O que a polícia ou a justiça não possuía lei para findar com o problema, a medicina mental se encarregava de ocupar esse espaço. Veja que o hospício surge como um método de disciplinarização dos “desajuizados” e depois a própria rotina da instituição encarregava-se de torná-los realmente doentes.

Ainda se destaca que o Juquery constitui assim a instauração de um espaço médico para quem já não dispões de espaço social, ou para indivíduos por diversas razões incapazes de adaptação às disciplinas exigidas pela vida e pelo trabalho urbano.

De acordo com a ideia apresentada pela autora, vimos mais um episódio na história de como a falta de conhecimento de alguns pode maltratar tantos. Pessoas dominadas por suas certezas limitadas diagnosticava como loucos, não somente os que possuíam realmente a patologia, como os que não possuíam moral ou educação, ou simplesmente desobedeciam às regras determinadas pelos ditadores da lei. Bastava não seguir as normas da sociedade para ser internado como doente mental. Em uma época a onde tudo se considerava errado, inapropriado, pecado, nenhum hospício teria um porte adequado para aprisionar tantas pessoas.

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