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Evolução Urbana no Rio de Janeiro – faces do desenvolvimento desigual e combinado.

Por:   •  5/2/2017  •  Ensaio  •  913 Palavras (4 Páginas)  •  9 Visualizações

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Evolução Urbana no Rio de Janeiro – faces do desenvolvimento desigual e combinado.

No processo que caracterizou a evolução urbana da cidade do Rio de Janeiro é importante considerar os diferentes atores, a articulação entre a formação social e espacial da cidade se dá no âmbito da relação entre fenômenos sociais e econômicos. A cidade se resignifica para as classes sociais que a ocupam conforme o desenvolvimento econômico tem seus rebatimentos em cada um dos setores sociais do território. Nessa conjuntura o Estado é importante aliado dos interesses capitalistas e atua como regulador da apropriação e transformação do solo urbano.

O Rio de Janeiro foi capital do Brasil Colônia, nesse período houve diversos investimentos em urbanização e preocupação em alta proporção com a organização da estrutura urbana. As alterações ocorridas na época possuíam inspiração na arquitetura europeia, desvelando a intenção de ruptura com o que era considerado arcaico, já que inspirar-se na Europa representava a modernidade. A estrutura urbana foi tomando forma com a construção de avenidas para o fluxo de veículos e adequações no transporte, bem como adaptações no espaço da cidade foram promovidas para impulsionar o comércio. Em contrapartida, o centro da cidade era ocupado por trabalhadores e demais seguimentos pauperizados que viviam em cortiços, houve forte pressão do movimento sanitário, com caráter higienista. Dessa forma, o espaço geográfico foi rearranjado em conformação a formação social da cidade.

Pensar a estruturação urbana da cidade do Rio de Janeiro presume a percepção de organização do espaço regida pelos interesses do capital em detrimento das necessidades humanas. Dentre os muitos responsáveis pelo processo de evolução desta estrutura, destaca-se o Estado. A configuração do tecido urbano no modelo dicotômico, núcleo-periferia, indica a contraposição da cidade dos ricos àquela dos pobres, modelo sustentado pelo Estado através de políticas que beneficiaram o desenvolvimento do capital e ampliaram o distanciamento entre as classes.

A partir do entendimento que o capitalismo se desenvolve de forma desigual pela exploração da força de trabalho, sendo este alienado por não produzir mercadorias para a satisfação das necessidades humanas de seus produtores, mas a produção de mercadorias com valor de troca para gerar a mais-valia, depreende-se que no desenvolvimento urbano da cidade do Rio de Janeiro, o Estado legitimou através de políticas públicas a relação de desigualdade entre arcaico e moderno, entre população subalterna, para a qual era destinada a periferia, e classes abastadas, para a qual era destinada o centro da cidade. O Estado é agente de mudanças no tecido urbano, se apresentando ora pelo consenso entre as classes ora como repressor do proletariado, coibindo movimentos de organização e reivindicação de melhorias para o bom funcionamento do solo urbano em favor do capitalismo.

Entender o surgimento das periferias pressupõe entender a questão urbana, que pressupõe entender as cidades. Pelo método de análise do materialismo-histórico-dialético é possível compreender que o desenvolvimento da cidade gera uma questão, que é fruto das relações. A base da questão urbana é a mesma da Questão Social, a desigualdade. A apropriação do espaço urbano de forma desigual gera essas questões. A cidade se constituiu pelas ações que o Estado desenvolveu. Essas ações em sua maioria, não privilegiam a classe trabalhadora, pois atendem às necessidades de desenvolvimento dos modos de produção.

As remoções exemplificam essa forma de organização, pois representam a organização da cidade para atender interesses das indústrias sem levar em consideração a própria classe

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