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A Experiência 10 Ciências

Por:   •  6/4/2021  •  Projeto de pesquisa  •  1.149 Palavras (5 Páginas)  •  33 Visualizações

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EXPERIÊNCIA 10

Adolescentes se tornam 'pais' por uma semana

 Os alunos de ciências do 7º ano do Colégio Liceu Nossa Senhora Auxiliadora, em Campinas, trabalham a temática sexualidade de modo diferente desde o ano passado, quando os professores da disciplina e a coordenação pedagógica implantaram o projeto Bebê-Ovo, com o objetivo não só de ensinar os aspectos biológicos ligados ao tema, mas também as questões comportamentais, culturais e sociais. A abordagem da sexualidade, assim, ganhou uma dimensão lúdica e que extrapolou os limites da sala de aula.

Após o trabalho sobre os aspectos biológicos da sexualidade, com a apresentação das características anatômicas dos órgãos reprodutores, os alunos puderam participar de discussões, motivadas pelos professores Heldis Silveira Santos e Jocimara Simões Korts, sobre temáticas como namoro, papéis sociais atribuídos a homens e mulheres, além de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

“O interesse dos alunos por esses assuntos é bastante grande, pois eles estão no início da adolescência. Então, é uma etapa muito interessante do trabalho, motivo pelo qual decidimos implantar o projeto”, explica o professor.

As atividades, realizadas no ano passado e que estão sendo replicadas agora, envolveram, em 2014, cerca de 140 alunos das quatro turmas de sétimos anos.

Durante as rodas de conversa sobre o assunto, foram tratadas questões como gênero, representação da sexualidade e a exposição do tema pela mídia, especialmente em comerciais e novelas.

Com isso, também foi possível abordar o respeito às diferentes orientações sexuais e tirar dúvidas dos alunos sobre temáticas como a homossexualidade. Para finalizar a discussão, os alunos foram levados à sala da coordenadora pedagógica, Vera Silva de Oliveira, onde começou a parte lúdica do projeto.

Simulação

Na sala, dispostos sobre a mesa, os alunos encontraram diversos ovos de galinha representando bebês, inclusive com um esboço de rosto desenhado. Havia aqueles com características da face masculina e outros com traços femininos.

Com a possibilidade de formarem casais heterossexuais, homossexuais ou então até mesmo uma maternidade ou paternidade independente, os alunos foram convidados a participar do projeto que consistia em cuidar do ovo como se fosse um filho durante alguns dias.

Durante a semana com o bebê-ovo, como passou a ser chamado, os estudantes não podiam abandoná-lo. Nesse ponto da atividade, os professores quiseram chamar a atenção para a responsabilidade exigida em relação à sexualidade e a uma gravidez. Entretanto, a discussão se ampliou automaticamente.

“Os alunos precisaram criar estratégias para cuidar do bebê-ovo. Por exemplo: eles tiveram que levá-lo para casa e pensar no que fariam caso tivessem algum compromisso. Houve alunos que fotografaram seus passeios no shopping ou suas idas ao cinema com o suposto bebê. Há também o caso de um aluno que viajou e fotografou o passeio”, conta o professor.

As experiências possibilitaram ainda que os estudantes vivenciassem algumas experiências muito comuns na vida real, como o fato de que, às vezes, ocorre a separação do casal ou até mesmo a perda do filho.

“Ao escolhermos o ovo para representar o projeto, tínhamos a dimensão de que ele pode representar a vida e a fertilidade, mas também queríamos chamar a atenção para a fragilidade, típica de um bebê”, explica Vera.

Assim, com o apego e o envolvimento na brincadeira, muitos alunos sofreram quando o ovo se quebrou e tiveram que vivenciar a perda. “Isso aconteceu comigo logo no primeiro dia em que o bebê tinha que ficar com o garoto que representava o pai. Foi muito triste e frustrante, mas, ao mesmo tempo, chamou a minha atenção para como deve ser difícil perder alguém importante na sua vida”, conta a estudante Ágata Guerra Praga Souza, de 13 anos.

“Fiquei chocada. A responsabilidade de um filho é muito grande e precisa ser compartilhada com o mesmo cuidado por pai e mãe. É mais difícil do que parece”, completa a garota, que agora está no 8º ano.

A cada nova experiência, os professores podiam discuti-las com os alunos. “Foi uma experiência muito válida, muito maior do que uma aula teórica sobre o tema, pois eles puderam vivenciar a situação real”, conta Jocimara.

Durante o projeto, os alunos também customizaram o bebê-ovo para criar uma identidade com ele. A escola providenciou um cartão de nascimento, equivalente a uma certidão da vida real. A partir disso, os pais e mães da ficção estudantil podiam dar nomes, criar roupas, berço e até casas para os “filhos”.

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