A Cultura Organizada na Inovação
Por: DayaneGuetten • 7/5/2026 • Artigo • 5.521 Palavras (23 Páginas) • 9 Visualizações
DESAFIOS EM TRANSFORMAR A CULTURA ORGANIZACIONAL CONSERVADORA EM INOVADORA NO SERVIÇO PÚBLICO
Dayane Cristine Guetten[1]
Diego de Oliveira da Cunha[2]
RESUMO: O serviço público brasileiro, tradicionalmente marcado por práticas burocráticas e uma cultura organizacional conservadora, enfrenta o grande desafio de se adaptar e se modernizar comparado ao setor privado, buscando eficiência, inovação e competitividade. Portanto, torna-se essencial promover ações que estimulem a inovação. Este relato técnico visa apresentar uma iniciativa voltada a transformação da cultura organizacional, por meio de um modelo de ação participativa e colaborativa, com foco na promoção da inovação como ferramenta estratégica para otimizar processos e melhorar o serviço prestado ao cidadão. Tal demanda está alinhada as diretrizes do Decreto nº 9.203/2017 que estabelece princípios de governança pública, entre eles a eficiência, a transparência e a participação. A ação analisada refere-se à realização do seminário “Um Olhar para o Futuro”, promovido por uma instituição do estado do Paraná, no formato da dinâmica Café pelo Mundo juntamente com o Business Model Canvas com temas divididos por eixos temáticos. O evento teve como propósito principal sensibilizar e engajar os colaboradores na adoção de práticas inovadoras, além de fomentar um ambiente propício à mudança cultural dentro da organização. O seminário serviu como catalisador para o desenvolvimento de uma mentalidade mais aberta à transformação digital, à simplificação de processos e à busca por soluções criativas para os desafios da administração pública. Ao apresentar essa experiência, o relato demonstra não apenas os resultados obtidos localmente, mas também a viabilidade de replicação dessa iniciativa em outras instituições públicas, contribuindo para a construção de um setor público mais moderno, dinâmico e orientado ao cidadão.
Palavras-chaves: inovação, cultura, governança, servidores.
1 CONTEXTO DA REALIDADE INVESTIGADA
As organizações públicas brasileiras, como é de conhecimento coletivo, possuem uma cultura organizacional conservadora. Apresentam, segundo Pires e Macedo (2006), estruturas altamente estáveis, que resistem de forma generalizada a mudanças, salientando o burocratismo, autoritarismo centralizado, aversão ao empreendedorismo e descontinuidade de gestão, não orientadas para o atendimento das necessidades dos cidadãos, ou para a eficácia e efetividade.
Ao longo dos anos a ineficiência do serviço público vem sendo notada pela sociedade, o que se agravou com a globalização e com o avanço tecnológico, com a rapidez das informações e a volatilidade do Mundo VUCA, o mercado se tornou ágil e o serviço público ficou estagnado.
Com o serviço público desacreditado pela população o Tribunal de Contas da União (TCU), editou um Referencial Básico de Governança Aplicável a Órgãos e Entidades da Administração Pública, que “visa orientar e incentivar as organizações a adotarem boas práticas de governança” e que, “todas as práticas de governança servem para criar contextos favoráveis à entrega dos resultados esperados pelos cidadãos” (TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO, 2014, p. 7)
Com base nesse referencial e com o “desafio de elevar a confiança da população e do mercado em relação à gestão e á governança pública” (Projeto de Lei 9163/2027), o governo federal publicou o Decreto 9203/2017 que dispõe sobre a política de governança da administração pública federal direta, autárquica e fundacional.
O decreto considera governança púbica como o “conjunto de mecanismos de liderança, estratégia e controle postos em prática para avaliar, direcionar e monitorar a gestão, com vistas à condução de políticas públicas e à prestação de serviços de interesse da sociedade” e apresenta como princípios a capacidade de resposta, a integridade, a confiabilidade, a melhoria regulatória a prestação de contas, responsabilidade e transparência.
O serviço público se encontra neste cenário, de um lado a burocracia costumeira e o conservadorismo em embate direto com a governança apresentada pelo Decreto e em embate direto com o mercado em relação a modernização e inovação. Neste meandro, com vistas a adaptabilidade e regulamentação quanto ao decreto, exibe-se o seminário “Um Olhar para o Futuro”.
- Problema
Para o atendimento dos seus princípios, o decreto esclarece que uma das suas diretrizes é direcionar ações para a busca de resultados para a sociedade, encontrando soluções tempestivas e inovadoras para lidar com a limitação de recursos e com as mudanças de prioridades.
Segundo a OCDE (2005) a inovação pode se dar de quatro formas, inovação de produto, inovação de processo, inovação de marketing e inovação organizacional. A Inovação organizacional é a implementação de um novo método organizacional nas práticas de negócios da empresa, na organização do seu local de trabalho ou em suas relações externas.
Guimarães (2000) evidencia que o desafio para a nova administração pública é como transformar estruturas burocráticas, hierarquizadas e que tendem a um processo de insulamento em organizações flexíveis e empreendedoras.
Para alcançar um novo método organizacional e transformar estruturas é necessária uma nova cultura, direcionada a criação de um ambiente inovador. Como a administração pública pode agir para efetivar essa transformação e alcançar essa nova cultura?
- Objetivo
O objetivo é apresentar ações que podem ser implementadas nas diversas áreas do serviço público, em uma agência de defesa agropecuária, para torná-la mais atual e condizente com o mercado, entregando um serviço de qualidade e eficaz, que atenda a necessidade dos cidadãos e ao mesmo tempo tentar engajar os servidores a buscarem a inovação no seu dia a dia. Transformando assim a sua cultura.
- Justificativa
A relevância do tema se fundamenta na busca pelo atendimento ao disposto no decreto 9203/2017 fortalecendo a governança pública. Com uma cultura inovadora é possível vislumbrar as atividades sob novas perspectivas e ocasionar novas abordagens, transformar a instituição de estática para adaptável, melhorar a qualidade dos serviços e das entregas a sociedade, otimizar processos e o uso dos recursos públicos e encontrar maneira de reduzir a burocracia. Além disso pode criar um ambiente de trabalho mais estimulante e motivador para os servidores.
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