Resenha Crítica Texto de Goulart
Por: KEILACAM • 28/2/2026 • Resenha • 1.781 Palavras (8 Páginas) • 13 Visualizações
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO[pic 1]
CENTRO DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES[pic 2]
FACULDADE DE EDUCAÇÃO
FUNDAÇÃO CECIERJ /Consórcio CEDERJ / UAB
Curso de Licenciatura em Pedagogia – Modalidade EAD
AD1 – 2023.02
Disciplina: Língua Portuguesa na Educação 1
Coordenadora: Prof.ª Janaína Moreira Pacheco de Souza
Aluna: Keila Adriana Medeiros Campos
Matrícula: 23112080380 Polo: Teresópolis
Resenha crítica do artigo: Alfabetização, discurso e produção de sentidos sociais: dimensões e balizas para a pesquisa e para o ensino da escrita.
GOULART, Cecilia M. A; CORAIS, Maria Cristina. Alfabetização, discurso e produção de sentidos sociais: dimensões e balizas para a pesquisa e para o ensino da escrita. ARTIGOS Bakntniana. Rev. Estud.Discurso 15 (4). Oct-Dec 2020. https://doi.org/10.1590/2176-457347351
As protagonistas da escrita deste referido artigo é a professora Cecília M.A. Goulart associada na Universidade Federal Fluminense(UFF), onde atua no programa de Pós-Graduação em Educação e no Programa de Alfabetização e leitura(Proale). Doutora em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Trabalhou como professora em instância municipal por 25 anos. É líder do grupo de pesquisa linguagem, cultura e práticas educativas. E a Maria Cristina Corais, Compõe o Grupo de Pesquisa LINGUAGEM, CULTURA E PRÁTICAS EDUCATIVAS, Coordenado pela Prof.a Dra. CECÍLIA M. A. GOULART (O grupo se dedica a estudar as questões relativas à alfabetização na perspectiva do discurso, notadamente com base nas Teorias da Enunciação, de M. Bakhtin e Histórico-Cultural, de Lev. S. Vigotski). Professora Universitária – ISERJ. Professora Universitária na Unigranrio. O artigo contempla pesquisas de “Práticas Pedagógicas no processo escolar de alfabetização: conhecimentos e dilemas nas ações cotidianas”. Dando ênfase no campo da alfabetização a teoria metodologia, objetivando desbravar o que se denomina “perspectiva discursiva de alfabetização”. dando entendimento sobre as decisões no dia a dia, encarando dificuldades enfrentada pelas professoras no processo ensino-aprendizagem da leitura e escrita, assim como, as práticas destacam-se e como se apresentam a escrita são alvos dessa pesquisa.
“Fundamentadas em Bakhtin, entendemos que uma proposta pedagógica como essa somente terá vigor se o discurso e a compreensão do mundo das crianças merecerem a escuta atenta e a resposta responsável nos contínuos processos de interlocução da sala de aula.”
A necessidade de se levar em consideração a bagagem cultural e os conhecimentos que os alunos trazem consigo é de relevância, considerando que estes sujeitos estão no centro da perspectiva pedagógica, sendo os protagonistas deste e neste discurso, pertencente a cada um nas suas especificidades, com teor na vivência de cada um, o qual é compartilhado e exposto ao todo dialeticamente. A partir dos saberes de mundo que os permeiam, novos conhecimentos serão adquiridos, tendo a mediação do professor neste processo. Onde a comunicação e interação entre as falas dos envolvidos permite a aquisição de novos saberes. Havendo nesta interação comunicativa base real empiricamente pertencente a todos os participantes, na dimensão social dos mesmos. Sob a égide do Círculo de Bakhtin, que embasam alicerces sobre as concepções de linguagem. Segundo Molon e Vianna (2020), “O conjunto da obra do Círculo de Bakhtin possui alguns pilares sobre os quais toda a concepção de linguagem se ergue: a interação verbal, o enunciado concreto, o signo ideológico e o dialogismo.”
“ Concebemos a alfabetização como um processo de interação discursiva que modifica os modos de internalização da cultura humana. Ao se apropriar da escrita, a criança ganha novas formas de se relacionar com o mundo, de significá-lo e apreendê-lo, dando prosseguimento ao “nascimento cultural” a que se refere Pino (2005).”
“Muito além da visão de uma cadeia linear de letras, sílabas, palavras ou fonemas, existe a visão de uma cadeia de sentidos, de interligações sociais e individuais, que faz crescer a história de vida de cada um e de todos...”
Irrefutável estes pareceres, diante do contexto de que a alfabetização não é decifrar códigos, memorizar símbolos. Não é um processo mecânico, sem sentido, sem significados. Entretanto é um apoderar-se de significados e significâncias que modifica e amplia o conhecimento não só de si, também do meio em que está inserido. Precisa ser semiótica, fazer algum sentido. De acordo com Vygotsky o aprendizado tem relação direta com o meio em que o indivíduo está inserido, então ele traz consigo o que já aprendeu para o meio em que se encontra no momento, formando novos conceitos e novos significados. Não obstante para Freire a palavra implica determinantemente em ação e reflexão:
[...] Vygotsky considera a palavra como o signo por excelência, responsável pelo desenvolvimento cultural dos sujeitos. A palavra é o signo cultural de mediação fundamental, responsável pela transformação das funções naturais de inteligência do sujeito para as funções superiores, ou culturais. Para Freire a palavra, como núcleo fundamental do diálogo entre os homens, implica duas dimensões: ação e reflexão, o que as unifica na práxis. A palavra, para ele, é a mediadora do homem com o mundo. Vai mais além ao afirmar que a palavra verdadeira tem a função de transformar o mundo (MOURA, 2001, p. 25, Apud, GEHLEN, MALDANER, DELIZOICOV).
Atrevo-me a dizer que a alfabetização é viva, modifica e amplia o conhecer de todos os personagens participantes deste ato, tanto crianças quanto adultos envolvidos.
“No movimento dialógico, todos têm oportunidades de se expressar e ampliar suas reflexões e compreensões sobre a vida e a língua.”
Diante da perspectiva discursiva da alfabetização o promover discussões, debates, a troca de informações e de ideias. Ter lugar e poder posicionar-se, ou seja, ganhar voz, traz enriquecimento individual e coletivo. A comunicação unilateral e vertical de tempos atrás, onde o professor “imprimia” seu saber em uma folha em branco, não tem lugar. O ensino-aprendizagem é multilateral e horizontal, envolvendo os professores aos alunos, os alunos aos mestres e os educandos entre si. Ocorrendo a formação de sujeitos pensantes com teor de criticidade. De acordo com (AMARAL, 1997): “Num processo de alfabetização crítica é necessário que se estabeleça uma relação de confiança, onde o respeito pelo que a criança sabe e é é indispensável para que ela perceba a escrita como mais um instrumento social e desenvolvimento pessoal.”
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