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Conceitos De Qualidade De Vida

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Por:   •  4/4/2013  •  3.215 Palavras (13 Páginas)  •  945 Visualizações

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O conceito qualidade de vida foi usado pela primeira vez pelo presidente dos Estados Unidos, Lyndon Johnson, em 1964, quando este declarou: “os objectivos não podem ser medidos através do balanço dos bancos. Eles só podem ser medidos através da qualidade de vida que proporcionam às pessoas.” Aqui Lyndon Johnson referiu-se pois à qualidade de vida em termos económicos.

Os anos foram passando e em meados da década de 70 Augus Campbell, (1976, referiu que as dificuldades para definir qualidade de vida tinham a ver com o facto de ser um conceito muito falado mas pouco percebido: “… uma vaga e etérea entidade, algo sobre a qual muita gente fala, mas que ninguém sabe claramente o que é.”

Continuando a progredir no tempo verificamos que os estudiosos foram reflectindo sobre o conceito de qualidade de vida e a partir dos anos 80 considerou-se que este envolvia diferentes perspectivas, entre elas a biológica; psicológica; cultural; e económica, ou seja, o conceito era multidimensional. No entanto, só na década de 90 se chegou à conclusão acerca da multidimensionalidade e também da subjectividade deste conceito, uma vez que, cada indivíduo, avalia a sua qualidade de vida de forma pessoal, nas diferentes perspectivas de qualidade de vida.

Ainda na década de 90, Gil et al. (1994) pesquisaram sobre a definição e avaliação da qualidade de vida na área da saúde, tendo concluído sobre a falta de clareza e de consistência tanto no que respeita ao significado do conceito como à sua avaliação, o que ainda se verifica actualmente, apesar de existirem múltiplas definições e cada vez mais instrumentos de avaliação de qualidade de vida.

Costa Neto (1998) identificou 446 instrumentos de avaliação de qualidade de vida em 70 anos, dos quais, 322 só apareceram na literatura a partir dos anos 80. Não há dúvida que o empenho na construção de instrumentos de avaliação de qualidade e vida aumentou muito na década de 80.

E chegando a 2005, Arnaldo Ribeiro, referiu-se ao aparecimento do conceito qualidade de vida deste modo “um termo que surgiu como conceito de condições de vida no trabalho, como um conjunto de aspectos de bem estar, saúde e segurança física, mental e social, capacidade de desempenhar actividades com segurança e com máximo aproveitamento possível da energia de cada trabalhador (produtividade).”

Actualmente verifica-se uma tendência para definir qualidade de vida com base em aspectos específicos associados a determinados grupos de indivíduos – por exemplo, indivíduos com determinada patologia ou com determinada idade. Sendo assim, tem-se desenvolvido instrumentos de avaliação de qualidade de vida para pessoas com patologias específicas. Nesta sucessão de ideias, verificamos que o conceito de qualidade de vida evoluiu ao longo do tempo, tornou-se progressivamente mais complexo, e, como já referi, foi avaliado em diferentes perspectivas: biológica; cultural; económica e psicológica.

O conceito de qualidade de vida no decorrer dos tempos.

O conceito de qualidade de vida tem merecido atenção cada vez maior não apenas na literatura científica, como também em vários outros campos como na sociologia, educação, medicina, enfermagem, psicologia e demais especialidades, além dos meios de comunicação, campanhas publicitárias e até em discursos políticos, tornando-se assim um tema em destaque na sociedade atual.

Segundo a literatura específica, entretanto, trata-se de um fenômeno complexo, com uma gama variada de significados, com diversas possibilidades de enfoque e inúmeras controvérsias teóricas e metodológicas.

A busca pelo significado da expressão Qualidade de Vida (QV) parece ser tão antiga quanto a civilização. Diferentes referenciais filosóficos, desde a Antiguidade, conceituam o que seja vida com qualidade. O desenvolvimento histórico-cultural da humanidade traz referências às tentativas de se definir a qualidade de vida, mesmo antes da Era Cristã. Em escritos como Nicomachean Ethics, Aristóteles (384-322 a. C) mencionava que as pessoas distintas concebem boa vida ou bem-estar como sendo a mesma coisa que felicidade, e que o significado de felicidade torna-se uma questão de contestação, pois alguns afirmam ser uma coisa, outros dizem ser outra e, de fato muito freqüentemente o mesmo homem lhe dá atribuições diferentes, de acordo com a situação que vivencia: quando adoece concebe saúde como sendo felicidade, quando empobrece, como riqueza e prosperidade9,10.

Sócrates já se referia à Qualidade de Vida, quando ao encarar a pena de morte na corte ateniense, afirmou temer coisas piores além da morte, porque não era a vida que contava e sim a qualidade de vida. Para o filósofo, o mérito moral determinava essa qualidade11.

Portanto, nota-se que a Qualidade de Vida, desde as épocas mais remotas, já era compreendida como resultado de percepções individuais, podendo variar de acordo com a experiência da pessoa em um dado momento.

O termo Qualidade de Vida foi mencionado pela primeira vez, em 1920, por Pigou, em um livro sobre economia e bem-estar material, onde relacionou a Qualidade de Vida ao suporte governamental oferecido às classes menos favorecidas e avaliou seu impacto na vida das pessoas e finanças nacionais12.

Há indícios de que, na literatura médica, o termo surgiu pela primeira vez na década de 30, em um levantamento baseado em estudos cujo objetivo era definir o termo ou referenciá-lo na avaliação da Qualidade de Vida13.

Nos Estados Unidos, por exemplo, após a Segunda Guerra Mundial o conceito de “boa vida” foi usado para descrever a posse de bens materiais como casa própria, carros e outros bens de consumo. Com o passar do tempo, o crescimento econômico e industrial ampliou esse conceito, integrando as áreas da saúde, educação, moradia, transporte, lazer, trabalho, crescimento individual, segurança, diminuição da morbimortalidade infantil13.

Assim sendo a discussão sobre o referido tema vem ganhando destaque mas, embora o questionamento sobre seu verdadeiro conceito tenha sido intenso nas últimas décadas, nota-se que não se chegou a um consenso definitivo acerca do assunto, por se tratar de um conceito evasivo e abstrato, subjetivo, complexo, indiretamente medido e que admite inúmeras tendências levando, portanto, a distintas definições14.

As revisões de literatura14 que cobriram períodos anteriores a 1995 revelam que, ao lado dos esforços direcionados para a definição e avaliação da QV na área de saúde, havia espaços e desafios teóricos e metodológicos a serem galgados.

Vale salientar os estudos de Gill e Feisnstein15, que encontraram 75 artigos que continham o termo QV em seus títulos, publicados em revistas médicas. Procuraram

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