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Resenha Filme Aquarius

Por:   •  27/11/2025  •  Resenha  •  475 Palavras (2 Páginas)  •  8 Visualizações

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

ARQUITETURA E URBANISMO

Sofia Bertussi Moreira

Resenha: Aquarius

O filme Aquarius (2016), dirigido por Kleber Mendonça Filho, retrata a história de Clara Bragança, uma jornalista e escritora aposentada que vive em um apartamento na Avenida Boa Viagem, em Recife. A personagem, por passar grande parte de sua vida morando no edifício Aquarius, possui um enorme apego emocional ao local, então, quando uma construtora, a Bonfim Engenharia, se mostra interessada no terreno, por ser uma ótima oportunidade de investimento, e subsequentemente consegue adquirir quase todos os apartamentos do prédio, menos o de Clara, ela resiste fortemente a vendê-lo, o que a torna alvo de contínuos assédios por parte da empresa na tentativa de forçá-la a sair.

É notória a importância que a trama traz aos sentimentos de Clara em relação ao que faz parte da sua história, como é o caso do seu apartamento, suas memórias, seus discos de vinil e seu modo de viver. Ademas, também fica explícita a relação pais-filhos ao passo que os filhos de Clara, uma vez crescidos e vendo a situação da mãe em um chamado "prédio fantasma" argumentam por sua saída do prédio, ignorando suas razões sentimentais e seus próprios desejos de permanecer no local.

Além disso, o filme abre uma grande crítica a financeirização do setor habitacional, de forma que a moradia se tornou objeto de lucro em prol da expansão dos mercados privados. Durante o desenrolar da trama, os responsáveis pela construtora, que querem utilizar o terreno do edifício de Clara para construir um prédio maior e mais moderno, o que traria mais retorno financeiro, cansam de insistir pela venda do apartamento e criam estratégias baixas na tentativa de fazê-la desistir de morar ali, sendo elas medidas mais simples como a realização de festas barulhentas, até medidas mais extremas, como o uso de uma colônia de cupins para corroer a estrutura da edificação.

Desse modo, a questão social relacionada à segregação urbana também é outro ponto explorado, com a moradia, que deveria ser direito de todos, passando a ser um fator que contribui para uma desigualdade socioespacial, sendo a especulação imobiliária, o mercado do potencial construtivo e o direito de construir acabam fatores de extrema relevância para moldar o espaço, filtrando seus frequentadores. É mostrado no filme a gentrificação, quando a população de classe mais baixa é, de alguma forma, isolada em áreas mais afastadas, com a valorização da área mais rica, controlada pela classe dominante, naturalmente excluindo uma parte da população que não possui dinheiro para morar ali. Isso é explicitamente retratado quando Clara explica ao andar pela praia sobre a divisão da praia entre a "área dos ricos" e a "área dos pobres", de modo que essa situação traz uma reflexão sobre a diferença das moradias entre as duas regiões e em como os moradores da área não privilegiada costumam somente trabalhar nas áreas mais nobres da cidade.

 

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