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Fichamento - cap 3 - os nuer

Por:   •  28/4/2019  •  Trabalho acadêmico  •  2.433 Palavras (10 Páginas)  •  218 Visualizações

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Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Instituto de Ciências Humanas e Sociais

Departamento de Ciências Sociais

Disciplina: Antropologia II

Aluna: Beatriz M. Cruppe

Evans-Pritchard, E. Os Nuer. São Paulo, Perspectiva; 2005 (1940)

(Capítulo 3 – Tempo e Espaço)

Fichamento:

“Nesse capítulo, tornamos a examinar nossa descrição do interesse dos Nuer pelo gado e a descrição de sua ecologia, e faremos um relado de sua estrutura política [...] não estamos descrevendo a cosmologia nuer mas sim suas instituições  políticas e outras, e estamos, portanto, interessados principalmente na influência das relações ecológicas sobre essas instituições, mais do que na influência da estrutura social na conceituação das relações ecológicas.” (p.107)

“Ao descrever os conceitos nuer de tempo, podemos fazer uma distinção entre aqueles que são principalmente reflexos de suas relações com o meio ambiente – que chamaremos de tempo ecológico – e os que são reflexos de suas relações mútuas dentro da estrutura social – que chamaremos de tempo estrutural. [Ambos designam sucessões de acontecimentos que possuem muito interesse para que sejam notados e relacionados conceitualmente pela comunidade]. Os períodos maiores de tempo são quase que inteiramente estruturais, porque os acontecimentos que relacionam são mudanças no relacionamento de grupos sociais.” (p.107 e 108)

“O ciclo ecológico é de um ano. Seu ritmo distintivo é o movimento para frente e para trás de aldeias para acampamentos, que constitui a resposta dada pelo Nuer à dicotomia climática de chuvas e seca. O ano tem duas estações principais, tot [de meados de março até meados de setembro e corresponde, mais ou menos, ao aumento na curva de precipitação de chuvas] e mai [começa no declinar da chuva; de meados de setembro até meados de março]. As duas estações, por conseguinte, apenas se aproximam de nossa divisão em chuvas e estiagem, e a classificação nuer resume de modo adequado a maneira de encarar o movimento de tempo. [...] o conceito de estações deriva mais das atividades sociais do que das mudanças climáticas que as determinam.” (p.108 e 109)

“Os aspectos pelos quais as estações são definidas com maior clareza são aqueles que controlam os movimentos das pessoas: água, vegetação, movimento dos peixes, etc.; sendo as necessidades do gado e as variações no suprimento de alimentos que traduzem principalmente o ritmo ecológico para o ritmo social do ano, e o contraste entre o modo de vida no auge das chuvas e no auge da seca fornece os pólos conceituais na contagem do tempo.” (p.109)

“Além das duas estações principais [...] os Nuer reconhecem duas estações subsidiárias incluídas naquelas [...]. As quatro estações não constituem divisões marcadas, mas, sim, sobrepõem-se. [...] Em termos gerais, portanto, há duas estações principais de seis meses e quatro estações secundárias de três meses , mas não se deve considerar essas divisões com muita rigidez já que não são tanto unidades exatas de tempo, quanto vagas conceituações de mudanças nas relações ecológicas e nas atividades sociais que passam imperceptivelmente de um estado a outro.” (p.109 e 111)

“Não há unidades de tempo dentro do mês, dia e noite. As pessoas indicam a ocorrência de um acontecimento há mais de um dia ou dois fazendo referência a algum outro acontecimento que tenha ocorrido ao mesmo tempo ou contando o número de “sonos” intercorrentes ou, o que é menos comum, dos “sóis”.” (p.113)

“O relógio diário é o gado, o círculo de tarefas pastoris, e a hora do dia e a passagem do tempo durante o dia são [...] a sucessão dessas tarefas e suas relações mútuas.” (p.114)

“O tempo não possui o mesmo valor durante o ano todo.” (p.115)

“Embora eu tenha falado em tempo e unidades de tempo, os Nuer não possuem uma expressão equivalente ao “tempo” de nossa língua e [...] não podem falar [...] do tempo como se fosse algo de concreto [...]. Os acontecimentos seguem uma ordem lógica, mas não são controlados por um sistema abstrato, não havendo pontos de referência autônomos aos quais as atividades devem se conformar com precisão.” (p.116)

“Podemos concluir que o sistema nuer de contagem de tempo dentro do ciclo anual e das partes do ciclo consiste numa série de concepções das mudanças naturais e que a seleção de pontos de referência é determinada pela significação que essas mudanças naturais têm para as atividades humanas.” (p.116)

“Num certo sentido, todo o tempo é estrutural, já que é uma ideação de atividades colaterais, coordenadas ou cooperativas: os movimentos de um grupo. De outra forma, conceitos desse tipo não poderiam existir, pois é preciso que tenham um significado semelhante para cada membro do grupo.” (p.116)

“Existe, contudo, um ponto onde podemos dizer que os conceitos de tempo cessam de ser determinados por fatores ecológicos e tornam-se mais determinados pelas inter-relações estruturais, não sendo mais um reflexo da dependência do homem da natureza, mas um reflexo da interação de grupos sociais.” (p. 118)

“Existem seis conjuntos em existência, os nomes dos conjuntos não são cíclicos e a ordem dos conjuntos extintos é logo esquecida, de modo que a contagem por conjuntos etários possui sete unidades que abrangem um período de algo menos do que um século.” (p. 119)

“Restringimos nossa discussão sobre os sistemas nuer de contagem de tempo, e não levamos em consideração a maneira pela qual um indivíduo percebe o tempo. [...] Assim, um indivíduo pode calcular a passagem de tempo em referência à aparência física e ao status de outros indivíduos e às mudanças em sua própria vida, mas tal método de contagem de tempo não possui uma ampla validez coletiva.” (p.120)

“A perspectiva temporal não é aqui uma impressão verdadeira de distâncias reais como a que é criada por nossa técnica de datar, mas sim um reflexo de relações entre linguagens, de modo que os fatos tradicionais registrados têm de ser colocados nos pontos para onde convergem as linhagens que lhes dizem respeito em suas linhas de ascendência. [...] O tempo, assim, não é um contínuo, mas um estacionamento estrutural constante entre dois pontos, a primeira e última pessoa numa linha de descendência agnática.” (p.121)

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