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Conversas sobre brincadeira, desenvolvimento infantil e aprendizagem: vivências e reflexões no curso de Pedagogia

Por:   •  19/5/2015  •  Artigo  •  8.392 Palavras (34 Páginas)  •  395 Visualizações

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Conversas sobre brincadeira, desenvolvimento infantil e aprendizagem: vivências e reflexões no curso de Pedagogia

 Maria Oliveira Da Costa

Introdução        

O brincar é uma atividade de essencial importância para o desenvolvimento infantil, nos aspectos sociais, afetivo, motor e cognitivo. No que diz respeito à estruturação do pensamento, brincar é uma importante forma de comunicação, interação e participação. O ato de brincar interfere no processo de aprendizagem da criança, pois facilita a construção da autonomia da criatividade, além de contribuir para o desenvolvimento do ser humano. [pic 1]

Tendo em vista que no meio social é constituinte do universo da infância a qual se configura como uma fase de intensa descoberta, em um processo contínuo de mediação entre o mundo real e a interpretação infantil. Assim faz-se necessário estabelecer correlações entre a prática educativa lúdica e a construção de aprendizagens significativas considerando as particularidades do sujeito aprendente.

Pensando nisso elaboramos a seguinte pesquisa com objetivos  de identificar a inter-relação entre o brincar e a cognição no desenvolvimento infantil. Refletir sobre o brincar sobre o processo de ensino- aprendizagem, compartilhando análises e vivências em torno da leitura e do brincar.

Consideramos ainda que este trabalho tem devida importância porque pode colaborar para futuros projetos que tanto para educadores quanto para gestores em parceria para a melhoria de qualidade escolar.

2.1 Contribuições do brincar para o desenvolvimento infantil

Ao estudar o desenvolvimento cognitivo e suas relações com a construção do conhecimento identificamos o que poderia chamar de habilidade cerebral, mental e que envolve o pensamento, raciocínio, abstração, linguagem, memória, atenção, criatividade, capacidade de resolução dos problemas entre outras funções. Já a brincadeira contribui para o desenvolvimento o cognitivo da criança, pois através dela o adulto estimula a autonomia em cada indivíduo que vai do nascimento até sua última ação de aquisição de conhecimento, que pode ser o fim da vida.

Assim, as práticas pedagógicas podem envolver a atividade lúdica para trabalhar o aspecto cognitivo estabelecendo correlação entre conteúdos didáticos, objetivos educativos e a construção de aprendizagem, considerando a particularidade de cada criança, ideia que Cunha (2007) propõe para o trabalho com jogos, brinquedos e brincadeiras na escola, para desenvolver habilidades do raciocínio infantil.

O desenvolvimento intelectual da criança também envolve os aspectos afetivo, social e a linguagem, que se inicia desde muito cedo, inclusive com atividades que tem característica lúdica. O desenvolvimento afetivo começa do nascimento com a mãe, pois é o único vínculo que a criança tem quando está no ventre, afeto este que se produz pelo resto da vida. Já o desenvolvimento social ocorre a partir dos três meses, quando começa a diferenciar o cheiro da mãe de outras pessoas, conforme descreve Bowlby (1969 apud MELO, online).

Por volta dos 03 meses de idade, o bebê começa a dirigir seus comportamentos de apego de modo mais limitado. As crianças nesta fase não manifestam nenhuma ansiedade especial por serem separadas do progenitor, e nenhum medo de desconhecidos.

O desenvolvimento da linguagem é um processo muito complexo e não ocorre em determinado período específico, pois sabemos que a linguagem ocorre no momento em que a criança sorri ou faz algum movimento para chamar atenção dos pais, logo após os três meses de vida.

Neste sentido, todas as atividades comportam uma dimensão lúdica, de brincar para explorar o mundo, organizar o pensamento e estruturar a linguagem. Tais aspectos sempre envolvem atividades prazerosas, compondo o desenvolvimento da criança, que relacionam prazer, descoberta e necessidades motoras e afetivas.

Para Kishimoto (1994), a brincadeira permite trabalhar vias que estimulem o desenvolvimento cognitivo da criança, enriquecendo a experiência sensorial e estimulando a criatividade do educando. Por tamanha importância, deve ser considerada no planejamento do educador.

Na atualidade, é recorrente a discussão da inserção da brincadeira na sala de aula. Mas, conforme discute Cunha (2007), tal discussão não é recente. Assim,  reconhece

os benefícios da dimensão  lúdica aqui atribuída a jogos, brinquedos e brincadeiras, no processo de ensino aprendizagem. No entanto estabelecer correlações entre a prática educativa lúdica e a construção de aprendizagem significativa considerando as particularidades do sujeito aprendente, não constitui uma recente descoberta (idem, p. 97).

Mesmo assim, muitos professores desconsideram a brincadeira como atividade essencial para a estrutura da cognição infantil, implicando assim em vantagens na medida em que envolve o processo de ensino-aprendizagem, embora normalmente sendo uma atividade fácil para a criança. Por isso, os professores podem confundir o brincar com algo sem importância para a aprendizagem e sem significância para que possa ser aceitável na atividade educativa na escola.

Mas, além das vantagens e da importância apresentada, as brincadeiras podem representar momentos avaliativos ou de diagnóstico do universo infantil, pois poder ser momentos nos quais a criança pode transmitir para o adulto uma mensagem do que é sua vida com outras pessoas em casa ou na rua.

Ao interagir com as pessoas que lhes são próximas e com o meio que as circundam, as crianças buscam compreender o mundo em que vivem e as relações contraditórias que presenciam e, assim, por meio das brincadeiras, explicitam as condições de vida a que estão submetidas e seus anseios e desejos.  Quando está brincando transfere os acontecimentos da sua vida cotidiana, como a violência doméstica, por exemplo, para brincadeira, que se torna uma forma de expressar, reviver e reproduzir seus medos e angústias, de forma a interpretá-los e até aceitá-los.

O brincar, como apresentado, compõe a formação do sujeito, desde a primeira infância, também na escola, mas ocorre de diferentes formas e deve variar conforme a faixa etária da criança e de suas habilidades cognitivas. Assim, faz-se importante explicitar os tipos de brincar.

2.2 Tipos de brincar

Os tipos de brincar abarcam características específicas, muito relacionadas às etapas do desenvolvimento infantil.

2.2.1 Jogos de exercício

O jogo de exercício tem estrutura e características de funcionamento relacionado ao hábito na qualidade do jogo repetitivo, que envolve prazer do movimento na infância porque trabalha o aspecto sensório-motor.

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