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Resenha do Filme: O Homem dos Ratos

Por:   •  16/8/2026  •  Trabalho acadêmico  •  1.752 Palavras (8 Páginas)  •  4 Visualizações

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MICHELE DOS REIS

SILVIA DOMINGOS

RESENHA CRÍTICA

FILME: O HOMEM DOS RATOS

CAMPO MOURÃO

2026

Introdução 

Este relato acadêmico foi desenvolvido para a disciplina de Fundamentos da Psicanálise, do 3º período do curso de Psicologia, e tem como objetivo realizar uma análise aprofundada sobre o tema “Neurose Obsessiva”, tal como representado no filme O Homem dos Ratos (1973), estabelecendo relações com os conceitos teóricos apresentados no capítulo “Neuroses” do livro Fundamentos Psicanalíticos: teoria, técnica e clínica, de David E. Zimerman (1999).

Produzida na Inglaterra em 1973, a obra cinematográfica conta com aproximadamente 50 minutos e propõe uma criação audiovisual do célebre caso clínico de Ernst Lanzer, um jovem advogado de 29 anos, cujos fundamentos teóricos foram originalmente publicados por Sigmund Freud em 1909. O filme ilustra um período de ampla difusão e legitimação dos estudos da psicanálise nos campos acadêmico e cultural, o que viabilizou explorar a narrativa dos conflitos inconscientes e das manifestações da neurose obsessiva.

Este estudo busca articular as dimensões da prática clínica e a representação do cinema aos fundamentos da psicanálise clássica, utilizando o filme como recurso de compreensão e análise. A investigação parte da exposição clínica de um caso real, associando-a à representação simbólica da experiência subjetiva do paciente. Dessa forma, procura ir além da simples reprodução dos fatos, abrindo espaço para a expressão de conflitos ligados à culpa, ao desejo e ao medo.

Assim, pretende-se demonstrar como a obra em si pode contribuir para a compreensão dos sintomas neuróticos, concebidos pela psicanálise como manifestações de conflitos inconscientes e conteúdos reprimidos.

Resumo 

O trabalho apresenta uma reflexão teórica sobre a neurose obsessiva a partir de um recurso audiovisual que dramatiza um caso clínico clássico da psicanálise. A análise articula conceitos fundamentais desenvolvidos por Freud e aprofundados por Zimerman, destacando aspectos como ambivalência afetiva, mecanismos de defesa e a atuação do superego. O estudo evidencia como representações simbólicas podem contribuir para a compreensão dos conflitos inconscientes e do sofrimento psíquico, aproximando teoria e prática clínica. Além disso, ressalta o valor pedagógico da obra ao favorecer a assimilação de conteúdos frequentemente abordados de forma teórica e abstrata nos textos acadêmicos.

Fundamentação

Segundo os estudos feitos para a definição de neuroses de acordo com Zimerman (1999, p. 202), “neuroses implicam um grau de sofrimento, a si próprio e aos demais, e também em algum prejuízo no seu funcionamento na vida familiar e social”. Ele assegura que os indícios neuróticos ocorrem como demonstrações típicas de conteúdos reprimidos que não são extintos por completo da consciência. Na obra, pode-se observar que o protagonista tem um sofrimento constante com pensamentos obsessivos em relação ao temor de torturas e punições para com as pessoas que ele ama, quando diz: “eu tenho um grande medo de que uma coisa terrível vai acontecer a meu pai...” (O Homem dos Ratos, 1973). Tais pensamentos evidenciam a necessidade de conservar o controle emocional e racional, ao mesmo tempo em que revelam o conflito com impulsos inconscientes de caráter agressivo.

A presença da culpabilidade e a ambivalência afetiva na neurose obsessiva é outro aspecto relevante citado por Zimerman, onde Ernst Lanzer fala de figuras importantes de sua vida, especificamente a mulher que ama e a seu pai ao qual demonstra sentimentos contraditórios. Ainda que evidencie afetividade, também revela hostilidade inconsciente, causando uma imensa angústia psíquica. Para amenizar a aflição causada por pensamentos obsessivos, ele usa mecanismos de defesa tais como, isolamento emocional, racionalização e rituais compulsivos.  Como citado em Zimerman (1999, p. 44) onde o autor diz que as experiências traumáticas da infância permanecem no inconsciente o que ocasiona certa influência no desenvolvimento das neuroses quando o indivíduo chega à idade adulta. É notório que o paciente de Freud possui uma ligação emocional conflituosa forte com o pai e devido a esses fatores, apresenta limitações ao lidar com desejo, culpa e autoridade, características estas que demonstram a formação de um superego rigoroso e punitivo, causando um sofrimento psicológico frequente no personagem.

O filme coloca em evidência o tratamento das neuroses e a importância da escuta psicanalítica. Freud procura compreender os significados inconscientes dos sintomas do paciente, destacando que os comportamentos obsessivos não são somente atos irracionais, mas revelações típicas de conflitos interiores intencionais. Corroborando essa perspectiva, Garcia-Roza (2009) afirma:

Diante do saber dos séculos XVII e XVIII, a psicanálise se apresenta como uma teoria e uma prática que pretendem falar do homem enquanto ser singular, mesmo que afirme a clivagem inevitável a que esse indivíduo é submetido. Antes do advento da psicanálise, o único lugar institucional onde o discurso individual tinha acolhido eram os confessionários religiosos. Garcia-Roza (2009, p. 22).

Nesse contexto, Freud desenvolveu sua prática clínica em Viena, onde iniciou a utilização do divã como instrumento terapêutico. Ao consentir que os pacientes falassem livremente, ele entendeu que muitos conteúdos reprimidos surgiam, expondo desordem inconsciente. Esse método tornou-se primordial na psicanálise, concretizando a chamada “terapia pela fala”.

Análise Crítica

O filme O Homem dos Ratos (1973) constitui um importante recurso para a compreensão da neurose obsessiva sob a perspectiva psicanalítica. Ao retratar o caso de Lanzer, a narrativa torna visíveis os conflitos inconscientes descritos por Freud, especialmente aqueles relacionados à ambivalência afetiva e aos mecanismos de defesa presentes na formação dos sintomas.

Segundo Zimerman (1999, p.197-205), as neuroses caracterizam-se pela existência de conflitos psíquicos que produzem sofrimento emocional, ansiedade e manifestações sintomáticas. O autor traz ainda, que na neurose obsessiva, o sujeito busca controlar impulsos e desejos considerados inaceitáveis por meio de pensamentos repetitivos, rituais compulsivos e defesas rígidas, essa descrição teórica pode ser observada de forma clara no comportamento apresentado pelo protagonista. Durante o desenvolvimento da trama, os rituais compulsivos surgem não como ações guiadas pela lógica, mas como tentativas de afastar situações percebidas pelo paciente como ameaçadoras. Ernest acredita que determinados comportamentos podem impedir acontecimentos temidos, mesmo ele próprio reconhecendo, em certa medida, o caráter irracional desses pensamentos. Tal dinâmica aproxima-se da concepção freudiana de que o sintoma neurótico representa uma formação de compromisso entre desejos reprimidos e mecanismos de defesa.

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